5º Congresso Internacional dos Hospitais

Data: 
Quinta-feira, 20 Novembro, 2014 - 09:00 - Sábado, 22 Novembro, 2014 - 13:00

5.º Congresso Internacional do Hospitais. “Serviço Nacional de Saúde. (Re)conhecer as Mudanças” (Auditório do Edifício Tomé Pires, INFARMED, em Lisboa).

A realização do 5º Congresso Internacional dos Hospitais, subordinado ao tema “Serviço Nacional de Saúde. (Re)conhecer as Mudanças” promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH) entre 20-22 de Novembro de 2014 representa uma de muitas oportunidades de concretização da política de participação, associação e cooperação, contando com intervenientes institucionais e profissionais portugueses e estrangeiros dos mais diversos campos de atuação.

O programa científico incluiu interessantíssimas participações de peritos em diversas áreas, designadamente organismos centrais de âmbito nacional do Ministério da Saúde, das Regiões de Saúde e dos diversos operadores da prestação de cuidados de saúde dos setores público, privado e social. Destes, destacamos, ao longo dos três dias do congresso, a presença do Diretor Geral da Saúde, do Presidente da ACSS, do Vice-Presidente do INFARMED e dos representantes dos Conselhos Diretivos das Administrações Regionais de Saúde. Tivemos ainda a participação da Federação Europeia dos Hospitais (HOPE), na qual a APDH representa os hospitais portugueses, pelo protocolo subscrito com o Ministério da Saúde, na pessoa da Doutora Sara Pupato Ferrari, sua Presidente, com importantes contribuições na sessão solene de abertura.

Este ano o congresso iniciou-se, no dia 20 de novembro, em simultâneo com a 8.ª Edição do Prémio de Boas Práticas em Saúde, que incluiu uma conferência do especialista em Qualidade em Saúde, o Professor Pedro Saturno, do Instituto de Saúde Pública do México, onde é Diretor do Centro de Investigação em Qualidade na Saúde, que nos proferiu uma conferência, com uma abordagem da Perspetiva Global e Sistémica da Qualidade em Saúde e que foi uma magistral lição.

Neste dia, no âmbito do congresso, decorreram 5 workshops, nas mais diversas áreas, designadamente da farmacoeconomia dos novos anticoagulantes orais, do financiamento e contratualização da Hepatite C, dos desafios no tratamento das infeções minimizando o uso dos antibióticos, dos modelos de organização de cuidados para a gestão da doença crónica e do trabalho desenvolvido no âmbito do Projeto internacional DUQuE – Deepening our Understanding of Quality Improvement in Europe, procurando discutir a continuidade do trabalho desenvolvido através de projetos futuros.

Do dias 21 e 22 destaca-se o fato do congresso ter beneficiado da disponibilidade de vários Ministros da Saúde, os quais nos concederam previamente uma entrevista que refletiu o pensamento e a ação de cada um deles, e que aproveitaram para endereçar algumas perguntas a cada uma das cinco mesas do congresso e aos congressistas para reflexão e resposta. Destes, destacamos os contributos de Sua Excelência o Ministro da Saúde, Dr. Paulo Moita Macedo e dos anteriores Ministros da Saúde, Dr. António Arnaut, Dr. Maldonado Gonelha, Professor Doutor Luís Barbosa, Dr. Arlindo de Carvalho, Professor Doutor Paulo Mendo, Dra. Maria de Belém Roseira, Professor Doutor António Correia de Campos, Dr. Luís Filipe Pereira e Dra. Ana Jorge.

O programa científico dos dois dias do congresso confirmou as elevadas expectativas de interessantíssimas participações, de peritos técnicos, executivos e académicos, designadamente, de instituições de saúde, associativas, académicas e de investigação, nacionais e estrangeiras. Todos tiveram e produziram pontos altos de trabalho e de contribuição.

No dia 21 na Mesa I com o tema “Reformas dos Sistemas Nacionais de Saúde: Diferentes Perspetivas”, presidida pelo Prof. Dr. Diogo Lucena (NSBE-UNL) foi patente a importância do intercâmbio das diferentes visões internacionais aqui trazidas sobre as Reformas dos Sistemas de Saúde: a experiência do Brasil, pelo Dr. Carlos Figueiredo (ANAHP); a experiência da Suécia, pelo Dr. Olle Olsson (SALAR); a experiência da França, pelo Dr. Gerard Vincent (FHF) e; a experiência de Portugal, pelo Prof. Dr. Constantino Sakellarides (FSNS). Entre outras, foi concluído que os sistemas de saúde dos diferentes países detêm especificidades próprias, no entanto todos eles enfrentam desafios e crescentes forças de mudanças, decorrentes do impacto das mudanças demográficas, da alteração dos padrões de doença e das limitações dos recursos, defrontando-se ainda com as opções políticas e as expectativas públicas.

Na Mesa II “A Nossa História: 40 Anos de Hospitais Públicos Portugueses”, presidido pelo Dr. Carlos Martins (CHLN), sentaram-se experientes dirigentes de hospitais com configurações distintas, designadamente o Dr. Artur Vaz (HBA), incidiu sobre os Modelos de Gestão Hospitalar (visão crítica compreensiva) – Da administração direta dos hospitais públicos (SPA) aos SA, EPE e PPP; o Dr. Victor Herdeiro (ULSM) falou da Experiência de integração de cuidados na ULS de Matosinhos; o Dr. Fernando Sollari Allegro, (CHP) trouxe-nos a perspectiva da Gestão hospitalar em tempo de crise e; a Dra. Marta Temido (APAH), fez uma retrospectiva do Passado, Presente e Futuro: Papel do Hospital Público Português. A crise esteve muito presente nos contributos dos intervenientes mas, sobretudo, foi dada maior ênfase ao esforço reformador das duas últimas décadas: às implementações pensadas, às não realizadas, às concretizadas, ainda que parcialmente, no Hospital e nas outras redes de cuidados de saúde, cuidados primários e cuidados continuados.

Neste dia ocorreu ainda a Mesa III ”Qualidade e Segurança do Doente: Oportunidades, Constrangimentos e Garantias”, presidida pelo Dr. Alexandre Diniz (DGS-DQS) que contou com os contributos do Prof. Dr. Christoph Aspöck (Institute for Hygiene and Microbiology, General Hospital of St. Pölten) que nos falou da Experiência austríaca na Prevenção e Controlo de Infeção – MRSA; o Prof. Dr. José Fragata, (CHLC) incidiu sobre a Agenda da Segurança dos Doentes e os Constrangimentos Económicos na Saúde; a Dra. Anabela Santos (SPMS) falou-nos do Sistema de Informação enquanto garante da Segurança dos Doentes. Nesta mesa concluísse que o aumento da estadia dos doentes nos hospitais e o montante despendido com as infeções associadas aos cuidados de saúde têm paralelo em Portugal e na Áustria, bem como no resto do mundo. A crise parece ter acentuado a insegurança, como por exemplo, o Estado tem novas formas de comprar que também contribuem para a insegurança do doente. Melhores resultados estão associados a um menor custo. Os maiores benefícios inerentes à introdução dos sistemas de informação na saúde são a redução dos erros, melhoria da confidencialidade, melhores métodos para a identificação dos profissionais, integração de dados de saúde, monitorização dos custos e maior segurança na fase de dispensa do medicamento.

No dia 22, os trabalhos iniciaram com a abertura da Mesa IV “Hospital e Sociedade”, presidida pelo Prof. Dr. Jorge Soares (FCG), onde tivemos contributos transdisciplinares com olhares sobre os impactos dos cuidados hospitalares e da saúde, sobre o papel e a atenção às famílias dos doentes, sobre a geografia da saúde e sobre o valor que a marketing público pode acrescentar à saúde das pessoas e das sociedades. Contámos com a colaboração da Profa. Dra. Paula Remoaldo (ICSUM), que nos falou do Hospital e da Geografia da Saúde; do Prof. Dr. Henrique de Barros (ISPUP-UP)que nos falou do Hospital e da Prevenção Quaternária; da Profa. Dra. Manuela Martins (ESEP-ICBAS) que incidiu sobre o Hospital e a Saúde Familiar e da Dra. Cristina Vaz de Almeida (ISPA) que abordou o Hospital e Marketing Social.
 
Em seguida decorreu a última mesa do congresso, com a Mesa V “SNS: (Re)Conhecer as Mudanças”, presidida pelo Prof. Dr. Jorge Simões (ERS), contou com os contributos do Prof. Dr. Manuel Lopes (UE – ESESJD) que abordou as Alterações demográficas e cuidados de saúde: Alguns contributos para um modelo de cuidados a idosos; o Prof. Dr. Alexandre Castro Caldas, (ICS-UCP), que nos falou do Envelhecimento e Cronicidade – respostas futuras – Que doenças, que necessidades e; da Dra. Ângela Freitas (UC), que incidiu sobre o SNS e a saúde dos portugueses nos últimos 40 anos. O painel referenciou as linhas da(s) mudança(s) seguida(s), os ganhos em saúde, os riscos de determinadas populações e o horizonte que estamos a descobrir para a saúde humana.

O 5.º Congresso Internacional do Hospitais concluiu os seus trabalhos com satisfação, tendo contado com a participação de 341 inscritos de uma larga diversidade de instituições hospitalares e de cuidados de saúde do país, designadamente dirigentes, gestores, médicos, enfermeiros, técnicos superiores e outros profissionais de saúde envolvidos em responsabilidades de gestão, com uma parte significativa de profissionais e instituições associadas da APDH.


Como evento editorial muito importante denotamos, ainda o lançamento do primeiro número da revista “O Hospital”, que foi distribuída a todos os participantes.

Poderá consultar a descrição detalhada deste evento, bem como todas as apresentações em http://5cih.url.ph/programa/