10.ª edição das Conversas de Fim de Tarde
A APDH consolidou mais um momento alto de reflexão naquela que foi a 10.ª edição das Conversas de Fim de Tarde |
![]() |
A APDH – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, de forma exímia, promoveu, organizou e ergueu a 10.ª edição das sessões de trabalho denominadas Conversas de Fim de Tarde, cujo tema deliberado foi A Contratualização Interna.
O evento decorreu no Centro Hospitalar Barreiro Montijo e teve lugar no pretérito dia 23 de Maio de 2014.
As individualidades interventoras foram distribuídas por quatro painéis, respectivamente: Moderadores; Comentadores; Dinamizadores, e Palestrantes.
O quadro de Moderadores foi integrado pelo Dr. João Ribeiro, licenciado em Economia e com formação superior em Administração Hospitalar, e também pela Prof.ª Doutora Ana Escoval, Presidente da APDH e docente na Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.
A integrar o painel de Comentadores estiveram o Dr. Luís Pisco, Vice-presidente do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde e Vale do Tejo, e o Dr. Luís Amaro, Director Executivo do ACES Almada – Seixal.
Enquanto Dinamizadores estiveram o Dr. Joaquim Bajanca, Administrador no Centro Hospitalar de Setúbal; Prof. Dr. João Correia da Cunha, médico cardiologista e Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte entre 2010 e 2012, e a Senhora Enfermeira Odília Neves, Enfermeira Directora do Hospital Garcia de Orta.
O orbe de Palestrantes foi constituído pelas seguintes figuras: Dra. Rute Ribeiro, licenciada em Direito e formada em Administração Hospitalar; Dra. Susana Capela, Administradora Hospitalar no Centro Hospitalar Barreiro Montijo; Dr. António Nunes, Administrador Hospitalar no Hospital de Vila Franca de Xira; Dr. António Martins, Administrador no Hospital Garcia de Orta; Dra. Mónica Cristina, Directora do Serviço de Gestão Financeira do Hospital Garcia de Orta, e Dra. Iria Velez, Responsável pelo Gabinete de Planeamento e Controlo de Gestão do Hospital Garcia de Orta.
INÍCIO DOS TRABALHOS E RESPECTIVAS APRESENTAÇÕES
A Prof.ª Doutora Ana Escoval abriu os trabalhos com uma breve alocução onde afirmou que estas Conversas de Fim de Tarde reuniram Hospitais e Serviços de Saúde Primários, e, atendendo a que o tema da reunião se centrava na Contratualização Interna, a Professora deixou bem patente uma expressão que reflecte uma realidade, aliás assentida pelo Vice-presidente da ARSLVT (ver entrevista no final desta notícia): …mesmo que a contratualização exista, ainda não estão criadas as condições consideradas minimamente ideais.
Aberta a sessão, o primeiro tempo foi reservado às apresentações – todas escoradas em elucidativos diapositivos – dos palestrantes.
A Dra. Rute Ribeiro, com pormenor e um perfeito alinhamento, dissertou sobre Estratégia, estrutura e avaliação: a criação de valor ético em saúde nos hospitais portugueses;
![]() |
A Dra. Susana Capela apresentou um trabalho de equipa denominado A Experiência da Contratualização Interna do Centro Hospitalar Barreiro Montijo;
Ver diapositivos
![]() |
O Dr. António Nunes, ante uma assertiva prédica, fez a apresentação do seu trabalho intitulado A Experiência da Contratualização Interna no Hospital de Vila Franca de Xira;
Ver diapositivos
![]() |
A comunicação denominada Contratualização Interna no Hospital Garcia de Orta, um trabalho conjunto apresentado pelos seus autores, Dr. António Martins, Dra. Iria Velez e Dra. Mónica Cristina, encerrou um dos momentos altos destas Conversas de Fim de Tarde.
![]() |
ESPAÇO ABERTO A DEBATE E COMENTÁRIOS
Terminadas as apresentações, foi aberto um espaço para debate e comentários, tendo, na circunstância, sido dada a palavra ao Dr. Luís Pisco, Vice-presidente da ARSLVT, que começou por defender a criação de condições que determinem uma optimizada coordenação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares, e, à semelhança de muitas outras vozes dos vários comentadores com assento na mesa, foi sublinhado por este alto responsável que a perniciosa descoordenação de cuidados continua a constituir uma preocupante fissura no Serviço Nacional de Saúde.
Depois da intervenção do Dr. Luís Pisco, coube a cada um dos oradores tecerem os seus comentários sobre os mais diversificados assuntos, e a dado momento registámos que no que concerne à contratualização de serviços, quer internos quer externos, como por exemplo a aquisição de equipamentos, apesar de todas as consequências daí advindas, os membros da mesa encontraram o consenso ao considerarem que esses constrangimentos resultam da grave crise económica e financeira que assola o País.
Ainda dentro deste espaço aberto a todo o tipo de reflexões, anotámos uma pertinente questão em forma de pergunta deixada por um dos prelectores: Atendendo a que as taxas moderadoras praticadas nos sistemas de saúde públicos estão ao nível das taxas cobradas pelos sistemas de saúde privados, situação que pode concorrer para uma acentuada quebra de produção nos hospitais públicos, será que não estamos ante um cenário convidativo a que nos questionemos sobre o futuro que está reservado ao Serviço Nacional de Saúde?!
![]() |
OS TRABALHOS FORAM ENCERRADOS COM UM CONVITE REMETIDO PELA PROFESSORA ANA ESCOVAL
Com o fim do debate onde emergiram reflexões pautadas pela defesa acérrima da qualidade dos serviços, a Professora Ana Escoval subiu ao púlpito para endereçar um convite no sentido de todos se unirem na discussão do delicado tema que encerra a contratualização e salientou que a articulação entre instituições mostrar-se-á como uma mais-valia para encontrar soluções estratégicas que ofereçam esperança às pessoas necessitadas de cuidados de saúde.
![]() |
O VICE-PRESIDENTE DA ARSLVT, DR. LUÍS PISCO, APONTOU ALGUMAS SOLUÇÕES QUE VISAM COLMATAR A DESCOORDENAÇÃO ENTRE OS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS E OS CUIDADOS HOSPITALARES
![]() |
Conforme acima noticiado, foram várias as intervenções proferidas onde ficou assinalada a descoordenação que se verifica entre os cuidados primários de saúde e os cuidados hospitalares, matéria que nos levou a instar o Dr. Luís Pisco, Vice-presidente da ARSLVT – Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, sobre as eventuais perspectivas que estão criadas no sentido de resolver este assunto. Este alto responsável foi objectivo na resposta: «Eu diria que existem boas experiências de coordenação, mas aceito que estamos obrigados a fazer muito melhor. A situação, tal como está, não pode continuar, e em termos futuros é nosso dever trabalhar muito mais em prol da procura de soluções, e nessa perspectiva vamos ter que sentar as duas partes na mesma mesa». E detalhou: «Encontro duas áreas que devem ser objecto de muita atenção e trabalho: a primeira assenta na criação de um sistema de informação comum, ou seja, em qualquer estabelecimento de saúde do País, nomeadamente hospitais, centros de saúde e instituições prestadoras de cuidados continuados, os médicos devem poder aceder ao historial clínico do doente. Como segundo objectivo, mas também extremamente importante, é a necessidade de estabelecermos normas comuns de orientação clínica de modo a que os doentes sejam tratados de forma padronizada, e com isto pretendo dizer-lhe que não se pode verificar descontinuidade nos cuidados nem tomadas de decisão diferente, independentemente da especialidade do médico assistente. Seja um cardiologista ou um urologista, atendendo a que existirão regras estabelecidas, não vão poder tomar decisões diferentes».
Sendo esta descoordenação um problema que se arrasta há décadas, até o próprio Dr. Luís Pisco assentiu nesta realidade ao afirmar-nos que nos idos anos 80 do século passado, data em que iniciou a sua actividade de médico, já a situação constituía um grave problema não só para os doentes, estes que estão sempre no topo de todas as preocupações, mas também para os serviços de saúde, neste caso considerando os significativos desperdícios financeiros causados pela repetição de exames complementares de diagnóstico, interacções que não são conhecidas e que deviam estar registadas numa plataforma de acesso comum, assim como tantos outros actos que se traduzem em acentuados prejuízos, mas, segundo o Vice-presidente da ARSLVT, estão a ser desenvolvidos todos os esforços no sentido de reverter esta situação e encontrar mecanismos de coordenação dentro do Serviço Nacional de Saúde.









